Reflexão

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O passar das horas.

Em noites insones a vontade de escrever surge, porém a incapacidade de transcrever emoções, ações e reações persistia em manter-se reclusa durante meses, até hoje.
Andei lembrando de citações musicais, em sua maioria aquelas baladas românticas que deixam em êxtase os seres apaixonados. Reportando ao universo infinito de sentimentos, paixão, amor, amizade, até mesmo os sentimentos sórdidos. Entre tantas memórias, lembrei de uns anos atrás, quando a responsabilidade não era tanta. Eu era feliz simplesmente por ser e não por ter. Sinto falta disso. Alguns podem citar meu exagero nas demonstrações, mas, do fundo de minha alma, eu exalava pura felicidade.
Dos momentos dançantes, das minhas gargalhadas, do meu sorriso infantil com dentes tortos, dos meus medos bobos, das minhas noites bem dormidas, dos abraços aconchegantes dos meus amigos, do conforto em saber que aquele momento era meu, unicamente meu. Há tanto não sinto esse aconchego, a vida me endureceu, ensurdeceu, enfraqueceu em relação à vivenciar os momentos simples e prazerosos. Meu corpo retrata esse endurecimento, com posturas rígidas e pouca fluidez no movimento, cara fechada, rugas de seriedade e falta de liberdade. Minha alma pesa a cada dia que passa, parece-me um fardo. Minha fala é ciente de que a vida mudou, eu mudei, mas meus medos não. Os medos só pioraram, a ansiedade me toma, a perspectiva do fracasso diário me domina, o medo de me expor ao ridículo me cobre por inteira. Deveras estou a falar de coisas ruins no momento em que me encontro de 'barriga cheia'. Tenho um bom e estável emprego, tenho saúde, alguém que me ama, uma cama quente e comida na mesa sempre. "O que me falta, afinal?" Questiono-me diariamente! E doi não conseguir responder. Me falta presença? Afeto? Amigos? Um lar? Me faltam perspectivas? Me falta fúria? Questões diversas, persistentes, latejantes.